Mobilidade urbana... De novo?

quarta, 25 de julho de 2018
Em 2013, o país parou. Começou pelos protestos em razão do aumento do preço das tarifas de transporte público, terminou com todo o tipo de pauta que se pode imaginar. O alto custo e a péssima qualidade do transporte são provocações diárias à população. 

Em 13/07/2018, a instituição Expert Market divulgou pesquisa sobre o transporte público no Brasil. Conclui que o DF tem o 4º pior serviço público de transporte do país, considerando preço, espera para pegar o transporte, demora no trajeto, desconforto, qualidade dos ônibus e etc. O brasiliense fica em média 90 minutos por dia, no trajeto diário. Sem falar nos atrasos. 

No Distrito Federal, seu traçado urbano permite circulação de transportes de massa em faixas exclusivas, em boa parte compartilhadas, podendo ser monitoradas de modo a calcular o fluxo de passageiros, tempo de espera e de trajeto e demanda.

Brasília foi projetada para ser referência para todo o Brasil, acolhendo pessoas de todas as regiões do Brasil. Criou-se um modelo com largas avenidas, marcos urbanos de obras monumentais, distribuição de moradias, comércio, lazer, trabalho em setores, tudo isso numa grande cidade jardim, onde homem e natureza caminham juntos e em equilíbrio.

Por outro lado, a população do Distrito Federal cresceu rapidamente e sem planejamento, havendo forte concentração na área central do plano-piloto de órgãos públicos e grandes empresas, demandando o deslocamento de muitas pessoas diariamente. Além desses aspectos logísticos e estruturais, existe um oligopólio das empresas prestadoras do transporte público, as quais fazem jus à milhões de reais todo ano a título de subsídios, sem prestar o serviço que a sociedade merece. Milhares de brasilienses pagam caro e merecem respeito. Trata-se de uma pauta prioritária!


Quais seriam as soluções? Não há mágica. Soluções para o transporte coletivo devem ser pensadas a longo prazo e, de modo geral, envolvem alto custo. É fundamental planejar a longo prazo, com parcerias público-privadas, articulando com as políticas de ocupação urbana. Porém, o brasiliense não pode esperar. Algumas já poderiam ser adotadas de imediato.

1) Redução do tempo de trajeto. Como? Integração entre os meios de transporte, conjugando modais diversos, como o ônibus (inclusive os semi-urbanos), o metrô, a bicicleta, táxi e aplicativos de transporte. Um bom exemplo é o aplicativo “Buser” permite o fretamento colaborativo de ônibus para viagens intermunicipais, com preço 60% mais barato que o tradicional, já em funcionamento em São Paulo, embora restringido temporariamente pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres);

2) Melhora da qualidade. Como? Condicionando os repasses de subsídios às empresas ao atendimento de índices de qualidade ao cidadão ((pontualidade, conforto, redução do tempo de espera e do trajeto e transparência, transparência no cálculo das tarifas, facilitação ao acesso público aos dados do GPS dos ônibus). Em 2017, foram repassados R$ 459,7 milhões de reais, concentrados em apenas 5 empresas. Mais independência à fiscalização sobre os serviços de transportes públicos, permite pressionar as empresas a respeitarem os direitos da população referidos. Parcerias público-privada podem ser atraídas para reformar e revitalizar as estações Rodoviárias das cidades, inclusive do plano-piloto;

3) Aumento de linhas e da frota de ônibus. Como? Quebra do oligopólio, aumentando a concessão de novas linhas à novas empresas; planejamento para a conexão entre os bairros; atração de parcerias público-privadas para a construção de novas estações de metrô, especialmente em superfície, ligando as diferentes cidades, sempre com respeito ao tombamento de Brasília.

4) Redução de congestionamentos. Como? Incentivo ao tele-trabalho e à flexibilidade de horário dos trabalhadores (públicos e privados); sinais inteligentes que considerem a demanda no momento.
5) Economia e prevenção de desvios do dinheiro público. Como? Maior transparência e controle social, além de apoio aos órgãos de controle. A Polícia Civil descobriu fraude na bilhetagem do transporte público no DF que possivelmente causou prejuízo de R$ 1 bilhão de reais .
Vamos pensar juntos em soluções para o Distrito Federal. Vamos debater idéias!

Fonte: G1
https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2018/07/19/furos-em-itinerario-deixaram-290-mil-pessoas-sem-onibus-no-df-em-2017.ghtml